
MAIS ARTIGOS
MOÇAMBIQUE TERRA-MAR-CA DE EMERGENTE BOA
Artigo publicado em 29/11/2010 por: Carlos Coelho (Ivity Brand Corp)
Será um país uma grande marca ? O que afinal é uma marca e em que medida importa este assunto ao futuro de uma Nação.
O mundo mudou. Sempre assim têm acontecido, mas parece que desta vez a mudança está a ocorrer a uma velocidade superior à capacidade que as sociedades têm para se adaptar aos novos tempos.
O planeta Terra, até aqui apenas um agregador geográfico, está finalmente a conhecer-se, a tornar consciência do seu todo.
Nesta tomada de consciência planetária, as marcas são os motores das economias. Assim a afirmação do poder das nações começou a fazer-se pelo poder das suas marcas.
Habituámo-nos a conhecer o Japão pela Sony ou pela Toyota, a França pelas suas marcas de luxo como a Louis Vouitton, a Cartier, a Dior, a Chanel, Itália pelo sangue quente da Ferrari; Inglaterra pela intemporalidade e classismo da Rolls Roys; a Alemanha pela aspirina da Bayer ou pela engenharia da Mercedes, e claro os EUA pela sua indústria de produção de marcas globais lideradas pela Coca-Cola e agora pelos gigantes da nova dimensão tecnológica como a Microsoft, o Google, Yahoo, E-bay, Amazon, etc.
Existem inclusive países, regularmente citados como casos de grande sucesso, que são apenas conhecidos pelas suas marcas, como é o caso da Nokia – Finlândia e da Hyundai - Coreia do Sul.
Existem inclusive países, regularmente citados como casos de grande sucesso, que são apenas conhecidos pelas suas marcas, como é o caso da Nokia – Finlândia e da Hyundai - Coreia do Sul.
Vivemos hoje numa “ branded society ”, onde as marcas, são os principais agregadores dos povos e não apenas dos negócios.
Neste contexto global de maior proximidade e numa cultura de marcas, todas as nações pretendem agora criar marcas nacionais, uma vez que começam a tomar consciência do impacto que a sua imagem no exterior tem na sua economia.
Os países pretendem “reposicionar-se” neste novo mapa mundo, aspirando a que a sua “marca” lhes permita valorizar os seus produtos e serviços, aumentar as suas exportações, captar mais e melhor investimento, atrair as melhores “cabeças” e incentivar o turismo no seu território.
Ao longo das ultimas 3 décadas Moçambique têm-se, aos poucos, empenhado em construir a sua Marca-Pais seduzindo o mundo com o seu jeito-piri-piri e com uma ideia de paraíso. Casa do grande Rift Africano, Moçambique, terá sido o berço da civilização, onde hoje vivem rios de hipopótamos, voados por centenas de espécies de avifauna, riscadas por zebras, reduncas e kudus, patrulhados por leopardos e elefantes sob o olhar magnético do rei Leão.
E como se não bastasse este sonho de terra, Moçambique sonha-nos com as agua-relas de areia e algas que se diluem sobre finos lençóis de Índico onde não começa a terra nem acaba o mar.
Com as suas praias encantadas onde os coqueiros se girafam para beijar a transparência das águas que vão-e-vêm pelos infinitos kilómetros de maré baixa de areia-pó-de-talco que nos polvilha o coração de vontade de nos Moçamficarmos por aqui.
Moçambique é, no seu mapa de expressividades endógenas, uma marca que me faz voar. Talvez por isso tenha sido com tanto gosto que voei de Lisboa para a conferência MMM (Melhores Marcas de Moçambique), onde fui, tão simpaticamente convidado a vir dar a minha contribuição para a sensibilização da importância das marcas, enquanto pilares de desenvolvimento económico e factores de afirmação identitária de um pais.
Moçambique não é, em nenhuma das suas dimensões, marca batata de sofá, é um pais cheio de “emergente” boa, que sabe que o futuro das marcas não se faz sentado a monologar virtudes indistintas,( batata de sofá é quando uma marca fala para o consumidor e não com o consumidor , reduzindo o destinatário a um ser inerte que se espera vá ouvir sentado, passivo e obediente).
Moçambique começa a ter a consciência das suas marcas e de que a gestão destes seus activos distintivos não é apenas uma questão de orgulho nacional mas do impacto económico que esse investimento tem na sua economia.
O desafio de Moçambique está ser capaz de investir na preservação, construção e divulgação das suas marcas. Marcas fortes, em todos os sectores vitais da economia e cujos padrões de qualidade, ambição e afirmação orgulhem o povo Moçambicano.
A abertura do mercado ao mundo moderno não pode representar a perda de identidade; Mais desenvolvimento não pode significar menos alma. É certo que as “marcas” dos países, nesta nova economia “googliana”, têm um forte impacto económico e que por isso é necessário competir de uma forma agressiva, em termos de imagem.
Mas as marcas nacionais fortes só terão sucesso se forem o reflexo contemporâneo, mas genuíno, da alma do seu povo e alma de terra-de-mar-cas é coisa que não falta ao povo Moçambicano.
Carlos Coelho
Criador de marcas
Presidente da Ivity Brand Corp
www.ivity-corp.com






