“Same, same but different” é uma expressão que ouvi muito na Tailândia quando andava a viajar por lá de mochila às costas há alguns anos atrás. Pode querer dizer qualquer coisa mas é particularmente utilizada e abusada sempre que estamos numa situação de compra e venda. E não são poucas as vezes que isso acontece na Tailândia, nas ruas, nos mercados, nos hotéis...enfim, por todo o lado. Por exemplo: “Este Rolex é verdadeiro?”, perguntava eu. Respondiam-me, “Yes! Same, same but different”.
O actual contexto de crise tem-me recorrentemente trazido de volta à memória esta expressão. Vou tentar ser um pouco mais claro: Inovação, diferenciação e disrupção são hoje palavras repetidas até à exaustão em reuniões com CEOS e Marketeers. Naturalmente procuram ter produtos ou serviços disruptivos e/ou uma marca que se destaque na relação que constrói com os seus diferentes “stakeholders”.
Mas “same, same” é para muitos a única forma de chegar a um lugar diferente. Não estão dispostos a correr qualquer risco e preferem a segurança de métodos de pesquisa, análise, trabalho, pensamento, organização que sempre utilizaram. Não estão dispostos a transformar as suas marcas por dentro e querem um resultado diferente por fora.
Claro que é senso comum dizer-se que “Não se chega a um lugar diferente se utilizarmos sempre o mesmo caminho”, mas mesmo assim, quando na estrada encontram a tal bifurcação muitos preferem o caminho que sempre percorreram na esperança que “desta vez” os leve a um destino diferente. Eu, mas sou eu, claro, acho que não vai acontecer!
O actual contexto de crise e de incerteza tem acentuado a importância desta questão. Marcas “same, same” dificilmente vão sobreviver, mas as que optarem por genuinamente fazer o caminho da diferenciação, impregnando-o no seu ADN e não apenas na hora de conseguir resultados terão seguramente nestes tempos, os seus anos dourados. Pensemos no exemplo da Apple, que hoje “goza” a recompensa de ter recusado status quo.
Moçambique como país emergente, e para mais uma vez recorrer ao senso comum, é um lugar de oportunidades para os seus empresários e empreendedores. Mas essas oportunidades terão tantas ou mais possibilidades de se tornarem realidade, se procurarem um caminho próprio, alinhado com a cultura única das suas gentes.
Copiar receitas ou construir marcas, utilizando as mesmas, mesmas metodologias que no trouxeram até aqui, dificilmente trará os resultados que o país precisa e merece.